Resenha- Por lugares incríveis
“Será que hoje é um bom dia para morrer?”
Na época que estava lendo o livro, estava passando por experiências pessoais semelhantes, então isso é o porquê de ter me identificado tanto com o livro. O livro me tocou e toca, ainda, de várias maneiras e pra mim a história é uma obra de arte. Li várias resenhas a respeito do livro, e encontrei opiniões parecidas. O livro te deixa com muitas coisas pra falar, ao passo que você se ver sem palavras no fim de tudo. Li por lugares incríveis, pela primeira vez, dois anos atrás e há pouco, decidi ler novamente. E consegui ter uma visão mais clara dos acontecimentos e da personalidade de Finch, que é um dos “X” da questão.
Finch, em um primeiro momento, se revela um personagem divertido e
irreverente, ele prende a sua atenção. Ele está constantemente procurando
maneiras de suicídio e conta a respeito delas e de celebres suicídios
relacionados como se fosse uma piada. Finch te passa uma imagem de confiança,
como se ele soubesse exatamente o que está fazendo. Seus amigos e sua família e
até mesmo a escola inteira parece está acostumada com o comportamento dele. "Mas é Finch. Finch só faz o quer", é o que todos falam.
Porém, além da "obsessão" pelo suicídio, Finch tem
"apagões", que confesso ter demorado pra entender do que se tratava.
Finch fala muito a respeito de estar "desperto". Desperto é um estado
em que ele ficava quando mantia a mente e o corpo em constante movimento. Ele
fazia coisas como correr de madrugada, dirigir, e até subir no parapeito de uma
torre pra se manter acordado. E após esse período "desperto", ele
tinha esses apagões, que era quando ele passava semanas dormindo, como que pra
recuperar o tempo de descanso perdido. De início, você acredita que Violet que
tem problemas depressivos mais recorrentes. A verdade é que a maior parte do
livro parece se tratar da falta de vontade de viver de Violet e dos esforços de
Finch para estar consciente sobre tudo á sua volta e ajudando Violet a se
reencontrar novamente. Então, a certo ponto da história, depois de algumas "andanças", os dois se envolvem romanticamente. E é quando você acredita que a história vai fazer sentido. Afinal, os dois despertaram um no outro a vontade de viver novamente. Mas só então você percebe que tem algo de muito errado com Finch. O que ninguém na história também parecia notar. Finch tinha depressão e transtorno bipolar.
"Continuo a respirar, mesmo não sorrindo mais. O que está
acontecendo é o seguinte: meu cérebro e meu coração estão pulsando em ritmos
diferentes; minhas mãos estão ficando frias e minha nuca está ficando quente;
minha garganta está completamente seca. O que eu sei sobre transtorno bipolar é
que é um rótulo. Um rótulo para pessoas loucas. […] Rótulos como bipolar
significam: É por isso que você é assim. Esse é você. Reduzem pessoas a doenças."
Então,
tem esse momento que você começa a entender o quão incompreendido ele estava
sendo:
"Escuta, eu sou a aberração. Eu sou o aloprado. Eu sou o
problemático. Eu me meto em brigas. Eu decepciono as pessoas. O que quer que
faça, não deixe Finch bravo. Ah, lá vai ele de novo, em uma daquelas fases.
Finch mal-humorado. Finch irritado. Finch imprevisível. Finch louco. Mas não
sou um conjunto de sintomas. Não sou uma vítima de pais horríveis e de uma
composição química mais horrível ainda. Não sou um problema. Não sou um
diagnóstico. Não sou uma doença. Não sou uma coisa que precisa ser salva. Sou
uma pessoa."
Assim
como Violet, você fica surpreso e mal ao mesmo tempo por não ter percebido
antes. Finch se sentia sozinho, e abandonado pelos pais. Ao ler pela segunda
vez, consegui ver que em alguns momentos Finch so queria que a mãe se
importasse com ele, conversasse. No almoço de domingo com o pai, Finch
demonstrava amargura que sentia pelo pai que o batia na infância, e que trocara
a família por uma "nova". A verdade é que olhando melhor, você percebe
que a mãe dele estava tão desolada em sua própia dor por ter sido trocada pelo
marido, que não conseguia mais exercer seu papel de mãe, com exceção de alguns
jantares, a família estava geralmente "espalhada", cada um em canto
da casa. Todos, incluindo as irmãs de Finch, estavam solitários e lidando com
os problemas pessoais da sua maneira.
"Porque
é do tempo que eu tenho medo. E de mim.”
Finch estava com medo. Medo do tempo e
dele, porque ele sabia que não aguentaria mais. Ele se esforçava muito pra se
manter desperto e passar a imagem de que estava sob controle de tudo.
“A
melhor coisa a fazer é não falar o que realmente pensamos. Se não falamos nada,
as pessoas concluem que não estamos pensando em nada além do que deixamos que
elas vejam."
E
ele não suportou,
“O que percebo agora é que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa.”
O tema central do livro gira em torno do suicídio. O livro
aborda os sintomas. Que estão por ai em pessoas. Não adianta fingir que não
existe, porque, infelizmente, já se encontra em muitos. Existem muitos Finchs e Violets precisando
que a gente pare de olhar um pouco pra nós mesmos e nossos própios problemas.
Finch queria ser visto, ser enxergado. Ele precisava parar de ser tratado como
um adolescente apenas "excêntrico", "diferente". Quando na
verdade, o que ele precisava era do apoio dos pais. Precisava ser compreendido.
Talvez a Violet pudesse ter sido suficiente se ele nao
tivesse se perdido tanto em si mesmo.
E é importante falar
sobre, sim. E ler sobre..ainda mais. Dispensei a teoria e vim aqui recomendar o
livro a vocês. Vale a pena!



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